Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Não posso deixar de ironizar sobre esta nossa maneira de sofrermos em Português...

Penso nisto quando passo no Campo Santana e vejo a estátua do Dr. Sousa Martins rodeada de centenas de placas agradecendo graças concedidas...

Obrigado pelas curas e continuação de curas....

Ou nas vezes que passei por Fátima e vi queimar peitos de cera à espera do milagre...

Penso nas superstições dos craques do futebol que arrancam relva antes de entrar em campo...

Penso no célebre sobretudo de José Mourinho...

Nas preces de Cristiano Ronaldo olhando os céus brindando mais um golo à memória de seu pai que morreu faz alguns anos...

Penso num homem que beijou sete medalhas pedindo a sete santos diferentes para que o avião onde íamos ambos não caísse ao levantar...

Penso no encenador de teatro que usa sempre o mesmo casaco nos dias de estreia...

No ritual do toureiro quando entra na arena antes de enfrentar o touro...

Acreditar...

Devemos acreditar...porque acreditar é realmente meia cura...

Mas e o que dizer do saco com um soro especial que neste preciso momento tenho ligado directamente a uma veia aqui na sala da quimioterapia...

Que dizer das mãos do cirugião que dentro de semanas me vai operar e tirar-me este tumor que já encolhe na radioterapia?

Que dizer dos sorrisos doces das técnicas da radioterapia que me tratam diariamente?

Digo na mesma que é preciso acreditar...

As nossas superstições ajudam-nos, e é cruel condenar quem a elas recorre...

Um dia, num lindo final de tarde de pesca, olhei o céu vermelho e pedi...

Por favor, ao menos um peixe que seja... para levar para casa...

Não posso deixar de ironizar sobre esta nossa maneira de sofrermos em Português...

Penso nisto quando passo no Campo Santana e vejo a estátua do Dr. Sousa Martins rodeada de centenas de placas agradecendo graças concedidas...

Obrigado pelas curas e continuação de curas....

Ou nas vezes que passei por Fátima e vi queimar peitos de cera à espera do milagre...

Penso nas superstições dos craques do futebol que arrancam relva antes de entrar em campo...

Penso no célebre sobretudo de José Mourinho...

Nas preces de Cristiano Ronaldo olhando os céus brindando mais um golo à memória de seu pai que morreu faz alguns anos...

Penso num homem que beijou sete medalhas pedindo a sete santos diferentes para que o avião onde íamos ambos não caísse ao levantar...

Penso no encenador de teatro que usa sempre o mesmo casaco nos dias de estreia...

No ritual do toureiro quando entra na arena antes de enfrentar o touro...

Acreditar...

Devemos acreditar...porque acreditar é realmente meia cura...

Mas e o que dizer do saco com um soro especial que neste preciso momento tenho ligado directamente a uma veia aqui na sala da quimioterapia...

Que dizer das mãos do cirugião que dentro de semanas me vai operar e tirar-me este tumor que já encolhe na radioterapia?

Que dizer dos sorrisos doces das técnicas da radioterapia que me tratam diariamente?

Digo na mesma que é preciso acreditar...

As nossas superstições ajudam-nos, e é cruel condenar quem a elas recorre...

Um dia, num lindo final de tarde de pesca, olhei o céu vermelho e pedi...

Por favor, ao menos um peixe que seja... para levar para casa...

Acreditem que a graça me foi concedida...

 

Lida no RCP a 2 de Fevereiro de 2009
Todas as cronicas em: http://radioclube.clix.pt/podcast/index.aspx?id=135

 



publicado por Novas Crónicas da Sala de Espera às 13:01 | link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De AME a 3 de Fevereiro de 2009 às 17:27
Olá,
O que dizer?
Não diga nada. Sorria apenas. Sorria com esperança e com o acreditar que o amanhã será melhor.
Sorrir traz força, a quem sorri e a quem recebe. Lutar contra todos os obstáculos cansa, e por vezes até nos retira as forças, mas também recebemos energia para um novo acordar.
Ainda me lembro no sorriso difícil do meu pai, aquele sorriso para não me desanimar, para me fazer acreditar que amanhã ele ainda cá estaria. E eu… Eu sorria para ele, para lhe dar a tal energia, a energia para enfrentar mais uma rádio, mais uma quimio.
“Esta coisa do intestino” Era como ele lhe chamava. Sim, nunca o ouvi dizer que tinha um cancro. Ainda hoje, quando vai fazer os exames de rotina, insiste em dizer que vai só ver como é que está “esta coisa do intestino”.
Antes não gostava que ele tratasse o problema daquela maneira, hoje gosto de o ouvir falar assim. Não releva, não lhe dá grande importância para crescer.

Tanta coisa para lhe deixar uma palavra ou outra de força e um sorriso de coragem.
:-)

Nota: Parabéns pela coragem em partilhar esta “coisa” difícil.


De Novas Crónicas da Sala de Espera a 4 de Fevereiro de 2009 às 12:18
Partilhar "esta coisa do intestino :-)"
Um abraço
Pedro


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Este é um díario, com cónicas que leio todos os dias no Rádio Clube, durante o programa Janela Aberta. São relatos da experiência que vivo na luta contra um tumor no recto. Emite todos os dias depois das 18h15.
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