Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

 

Soube ontem, por acaso, em conversa com uma médica...

Não são uma nem duas as pessoas que sofrem de cancro e não contam à família...

Não contam aos amigos nem aos colegas de trabalho...

A conversa era a propósito destas minha crónicas...

O impacto em quem me escuta...

O impacto que tem em mim...

Como me ajuda a vencer o cancro falando mal dele...chamando-lhe "Wally"...

Como me ajuda estar aqui...

Como me ajudam os emails de amigos...

Aqueles em que ainda me tratam pelo meu nome de infância...

" Espero que esta tua luta seja gloriosa e que daqui a pouco tudo isto nao seja mais que uma mà recordaçao, para ti e para nos todos que gostamos muito de ti. Senao, ca estaremos também para o que der e vier...

Conta sempre comigo amigo. Boa sorte."

Escreveu-me Isabel lá de Paris...

"Não estás sózinho", escreveu-me Cristina, amiga de longa data...

"Vai ultrapassar isto", insistem a Rósário e a mãe...

"Estou contigo", escreveu-me o Paulo de Manchester...

"Força amigo", um incentivo da Diana e do Zé, em São Paulo

"Ainda um dia escreves um livro..."

Diz-me o Rui, lá no seu escritório em Paço de Arcos...

"A família está cá para ajudar", garante-me o Bruno...

"Estamos aqui!", dizem-me os meus irmãos e a minha mãe...

"Havemos de dar o tal passeio de Cacilheiro", desafia a Nina

"Vamos beber um café", convida o Carlos...

Teresa e Aurélio, amigos, também, que seria de mim sem o vosso apoio?

(pausa)

Como posso eu ficar indiferente perante a solidão de quem se cruza comigo nas salas de espera?

Quem volta para casa para fingir que é só uma dor...

Que comeu qualquer coisa estragada...e vomita por isso mesmo...

Que a dor no peito, é de uma coisa que não é nada...

Se é o caso de alguém que me ouve...peço-lhe que não sofra em silêncio...

A química da amizade e dop amor é a melhor quimioterapia que conheço...

Faz parte do nosso tratamento...

 É a melhor maneira de mandar o cancro dar uma curva ao bilhar grande...

Lida no RCP a 11 de Fevereiro de 2009
Todas as cronicas em: http://radioclube.clix.pt/podcast/index.aspx?id=135

 

 

 

 



publicado por Novas Crónicas da Sala de Espera às 17:36 | link do post | comentar | favorito

5 comentários:
De AME a 11 de Fevereiro de 2009 às 19:09
O calor humano tem um poder fantástico não tem?
É um facto que não manda o Wally para o Brasil sem bilhete de volta, mas a realidade é que minimiza a dor. A do “dono” e a dos que são sempre da opinião que não se deve ter animais em casa.
O Pedro de momento não é mais do que a família de acolhimento do Wally, um dia destes ele vai mesmo ficar a dar umas voltas ao bilhar, mas daquelas eternas, sem regresso.

Um Beijo, Um Sorriso



De clube de fans PBM a 11 de Fevereiro de 2009 às 19:28
Querido Pedro, também a torcer por si todo o o Clube de Fans PBM que partilham diariamente e com enorme carinho as suas cronicas.
A direcção


De J.Martins a 11 de Fevereiro de 2009 às 21:30
Caro Pedro, quero-lhe dizer que compreendo a sua mágoa, porque pensamos sempre que estas doenças só acontecem aos outros. Já passei por algo identico( tirando a parte da quimio) e sei o que sofri e o que fiz sofrer a minha familia, pois embora nós digamos que estamos bem eles nunca acreditam e estão sempre preocupados... O que custa ver a nossa esposa a passar noites em claro por nossa causa, mas a maior dor é ir visitar os nossos pais e ver a nossa mãe a chorar por ter o filho doente com cancro e pensar que o vai perder para a doença... Eu sempre tive atitude positiva, se estava para mim não o podia passar a outro, então encarei a doença de frente e estava disposto a lugar com ela. Felizmente, para mim, a luta resumiu-se a uma operação no IPO e à perda de um pouco de mim. Força Pedro na luta contra o Wally e nunca desmoreça porque a força de vontade e a determinação é meia batalha ganha. Abraços e veja se manda o Wally à fava...


De Margarida Alves a 13 de Fevereiro de 2009 às 11:56
Olá Pedro,
Não o conheço pessoalmente, sou apenas uma comum ouvinte das suas crónicas e como a sua voz está no ar por volta das 18-18:30, acompanha-me nas minhas voltas de carro pois é quando faço a recolha dos meus filhotes. Regressamos a casa depois de mais um dia de trabalho e de aulas e eles vêm excitados, cansados e falam, falam, gritam, riem e… bem são 3.
Dou comigo a ralhar-lhes para se calarem pois quero ouvir o Pedro, gosto muito do Rádio Clube, mas aquele momento é único. É incrível a calma que transmite com a sua voz, com as suas palavras, e paradoxalmente acabo com um “nó” no estômago. Calma, mas a palpitar. De um assunto sério e para muitos aterrador, vivido em primeira mão, o Pedro leva-nos para dentro de histórias e momentos, ao mesmo tempo serenos e inquietantes.
Na sua voz sinto a aceitação do “Wally” matreiro e a ENORME coragem de, calmamente, dia após dia, o ir derreando em cada batalha. Há “guerras” difíceis na nossa vida, esta será uma delas, mas para mim e de certo para muitas outras pessoas, o Pedro já venceu. O “C” que o invadiu é de Coragem…e acreditarmos no melhor resultado é meio caminho andado. Também já enfrentei algumas guerras destas que nos tentam dar cabo da saúde. Lembro-me que com 14 anos pedia aos céus e à natureza para passar para mim o que havia sido diagnosticado à minha mãe, um cancro maligno, sofri e sofri, chorei e chorei e hoje choro de alegria porque já passaram 26 anos e a minha mãe cá está, de boa saúde, já teve alta, venceu ! Mas a minha mãe era teimosa como tudo e tinha e tem, um “C”, um grande “C” de coragem. Para mim, o destino reservou, pelo menos até agora, aos 40, um aneurisma cerebral que resolveu rebentar no dia de aniversário da minha filhota. E afinal, oh lá… havia outro que se preparava para fazer o mesmo. E é assim… de repente, temos a vida suspensa por um fio. Sobrevivi, sem sequelas e “as good as new”. Tenho agora 2 datas de aniversário e sou incrivelmente mais forte. Relativizo as coisas e aprendi a viver cada momento com uma serenidade que não tinha antes. Tive medo, mas tive o grande “C” de coragem, quem sabe, herdado da minha mãe? Afinal ter coragem é ter medo e saber viver com ele, todos os dias, sem deixar de sorrir, de brincar…eu sei que sabe como é. Desejava transmitir-lhe a minha grande admiração e dizer-lhe que é realmente “ESPECIAL”. Um Xi-coração!


De F Nando a 15 de Fevereiro de 2009 às 15:46
Quando ouço as crónicas fica-me sempre um tempo para a reflexão.
Quanto pequenos somos mas essa mensagem de ESPERANÇA é um ACREDITAR no amanhã...



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Este é um díario, com cónicas que leio todos os dias no Rádio Clube, durante o programa Janela Aberta. São relatos da experiência que vivo na luta contra um tumor no recto. Emite todos os dias depois das 18h15.
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